
Faltavam três noites para o Natal, e a Pigúiça tinha um problema do tamanho de uma montanha. Ela ainda não tinha presente para o Fofuxo.
Ela queria dar uma coisa enorme. Brilhante. Uma coisa que fizesse o Fofuxo gritar de alegria e rodar atrás do próprio rabo.
Foi até a clareira pedir ideias à turma. A Bolota ia dar uma almofada com franjas douradas. O Tico ia dar uma escova nova, de cabo prateado. Os dois falavam rápido, animados, e os presentes pareciam cada vez mais lindos.
A Pigúiça olhou para as próprias patas. Não tinha almofada, nem escova, nem franja dourada. Só tinha quatro patas, vinte dedinhos e muita vontade.
Então saiu andando pelo jardim, pensando. Parou diante de um canteiro e, como acontece em Dogavios, todas as flores se viraram para ela ao mesmo tempo. “Posso pegar uma pétala de cada uma?”, perguntou. As flores balançaram que sim. As borboletas que passeavam por ali pousaram na cabeça dela, curiosas.
Com as pétalas, a Pigúiça pintou um pedaço de fita branca. Esfregou azul, esfregou amarelo, esfregou rosa. A fita ficou listrada, meio borrada, com um pouquinho de grama grudada.
Depois tentou fazer um laço. Ficou torto. Tentou de novo. Ficou mais torto ainda. Na terceira vez, amarrou um nó no formato de osso, que também ficou torto, mas dava para ver que era um osso.
Na véspera do Natal, ela escondeu o presente atrás das costas. Estava com vergonha. Perto da almofada de franjas douradas, o laço dela parecia, bem, meio torto.
“Feliz Natal, Fofuxo”, ela disse, e estendeu a fita. “Fui eu que fiz. Ficou feio.” O Fofuxo olhou. Os olhos dele ficaram azul-escuro, como ficam quando ele tem algo importante para dizer.
“Pigúiça, é a coisa mais bonita que eu já ganhei”, falou. “Eu sinto cada pétala. Sinto o seu tempo, a sua pata, esse nó de osso. Nenhuma feira do mundo vende isso.”
Ele colocou a fita no pescoço, e ela ficou meio de lado, bem na altura do coração. “Agora eu levo um presente seu para qualquer lugar”, disse.
E tirou de trás da árvore um pacotinho. Era uma pedra lisa, dessas que cantam baixinho, pintada à mão. Em cima, com tinta azul, estava escrito PIGÚIÇA. Só que o acento do Ú tinha ficado deitado.
As duas risadas se misturaram. A pedra cantou hmmm, hmmm, como se também estivesse feliz.
Naquela noite, a Pigúiça dormiu com a pedra debaixo do queixo. O Fofuxo dormiu com o laço torto no pescoço. E os dois sonharam, cada um, com um presente que ninguém consegue embrulhar.
