
A Árvore Universal é tão alta que as nuvens sorridentes passam por baixo dos galhos de cima. E, no Natal, todo mundo em Dogavios quer enfeitá-la.
A turma chegou cedinho, cada um com uma caixa. A Bolota trouxe bolinhas vermelhas. O Tico trouxe fitas. A Pigúiça trouxe uma guirlanda de flores que ela mesma tinha costurado.
Os dinossauros apareceram logo depois. A Trici, a bebê tricerátops, veio trotando com bolinhas penduradas nos três chifrinhos. O Rex veio atrás, com os bracinhos curtos carregando uma caixa que quase caiu, tum.
“Eu penduro nos galhos de baixo”, disse a Trici, e foi pendurando, uma bolinha em cada galhinho. O Fofuxo, grande e gentil, levantou a Pigúiça nas costas para ela enfeitar a altura dos olhos.
Quando acabaram, a árvore estava linda até a metade. Faltava a ponta lá no alto, onde ficava o lugar da estrela. Era tão alta que ninguém alcançava.
O Rex tentou. Esticou o bracinho o máximo que pôde. Nada. Tentou pular. Tum! As folhas balançaram, mas nada. “Eu queria ajudar”, ele disse, de cabeça baixa. “Mas meus braços são curtos demais.”
Foi então que ouviram um som, tum, tum, tum, bem devagar, como passos de uma montanha. Era a Dona Pescoçuda, a diplodoco grandona, vindo com um pescoço tão comprido que a cabeça chegava antes do resto do corpo.
“Ouvi dizer que tem uma estrela esperando um pescoço”, disse ela, com a voz calma de sempre. E pegou a estrela dourada com muito cuidado, entre os dentes.
Esticou o pescoço, esticou, esticou, passando pelas nuvens sorridentes, que abriram caminho. Quando chegou lá no alto, encaixou a estrela na ponta da árvore, pendurada numa fita comprida. Plim! A estrela acendeu.
Mas a fita balançava com o vento. “Precisamos de alguém lá embaixo para amarrar a ponta da fita no tronco, bem firme”, disse a Dona Pescoçuda. “Alguém com bracinhos pequenos e fortes.”
O Rex ergueu a cabeça. Correu, abraçou o tronco e deu um nó apertadinho, do jeito que só um bracinho curto consegue. A fita ficou quieta, a estrela ficou firme.
Todos olharam para cima. Cada bolinha refletia a luz da estrela, e a Árvore Universal brilhava como se estivesse cheia de pequenos sóis dormindo.
“Foi o Rex quem deixou a estrela segura”, disse a Dona Pescoçuda. O Rex estufou o peito e ficou com as bochechas verdes um pouco coradas.
Deitaram todos debaixo da árvore. A Dona Pescoçuda se enroscou ao redor deles, como uma almofada comprida e quentinha, e começou a contar uma história bem baixinha. A Trici ouviu a primeira frase. O Rex, a segunda. A Pigúiça não chegou a ouvir a terceira.
A estrela lá no alto piscou devagar, uma vez, como quem diz boa-noite. E o bosque inteiro dormiu.
