
O Ossinho era azul, de pelúcia, com um remendo na orelha. Não era o maior brinquedo da Pigúiça, nem o mais bonito. Mas era o favorito. Dormia com ela toda noite, e ouvia todos os segredos.
Naquela tarde, a Pigúiça brincou no campo, correu atrás de borboletas, rolou na grama, e só na hora de voltar para casa percebeu: a pata estava vazia.
“Meu Ossinho!”, gritou. “Sumiu!” O queixo dela começou a tremer. As lágrimas encheram os olhos azuis, e a Pigúiça chorou, sentada no meio do campo, com o céu cor-de-rosa ficando escuro.
Fofuxo chegou, sentou do lado dela e esperou, sem dizer nada, até o choro diminuir. “Está doendo, não é?”, disse ele. “Muito”, fungou a Pigúiça. “Ele é meu amigo. E eu perdi.”
“Dá tristeza mesmo”, disse Fofuxo. “Quer tentar achá-lo? Eu sei um truque.” “Qual?” “A gente respira três vezes. Depois lembra, passo por passo, aonde você foi hoje. O Ossinho deve estar em algum desses lugares.”
A Pigúiça respirou: uma, duas, três. A cabeça foi ficando mais clara, como a água de um riacho depois que a lama assenta.
“De manhã, ele estava comigo na cama”, disse ela. “Depois levei para o bosque... Depois subi na árvore... Depois deitei perto de uma flor gigante e...” “E?”, perguntou Fofuxo. “E fiquei olhando as abelhas! Foi lá!”
Os dois foram até o bosque, passando entre os pinheiros, com o sol já bem baixinho entre as montanhas. Chegaram na flor gigante.
E lá estava um insetinho tristonho, encolhido bem em cima da flor, segurando uma coisa azul maior do que ele. “Meu Ossinho!”, disse a Pigúiça.
O insetinho levantou a cabeça. Era uma joaninha, com os olhos molhados. Chamava-se Lili. “Eu achei ele”, disse a Lili, baixinho. “Achei de manhã. Queria levar para a dona, mas era muito pesado, e eu não sabia onde ela morava. Fiquei aqui esperando alguém aparecer.”
A Pigúiça sentiu o peito aquecer. Pegou o Ossinho com cuidado e abraçou bem forte. “Obrigada, Lili. Você cuidou dele o dia inteiro.”
“Quer visitar a gente amanhã?”, convidou Fofuxo. A joaninha sorriu pela primeira vez. Subiu nas costas do Fofuxo, e os três voltaram para casa, quietinhos, enquanto as primeiras estrelas apareciam.
Naquela noite, a Pigúiça dormiu com o Ossinho nos braços. Pensou que perder uma coisa querida dá um aperto no coração. Mas respirar, lembrar e procurar com calma ajuda a achar o caminho de volta.
O Ossinho ouviu todos os segredos do dia. E a Pigúiça dormiu.
