
Naquela manhã, a Pigúiça acordou com uma ideia grande demais para caber dentro da cabeça. “Hoje eu vou ajudar em tudo!”, anunciou. “Em tudo mesmo!”
O Fofuxo, que tinha acabado de abrir um olho, abriu o outro. “Em tudo?” “Em tudo!” E lá se foi ela, com o rabinho enrolado balançando, procurar o que fazer.
Primeiro, as flores do jardim. Mas a Pigúiça pegou o regador com tanta pressa que a água saiu toda de uma vez. Splash! A margarida levou um banho de cima a baixo. “Brrr”, disse ela, sacudindo as pétalas. “Obrigada, mas um pouquinho de cada vez, tá?”
Depois, as folhas secas do quintal. A Pigúiça pegou a vassoura e varreu, varreu, varreu. Juntou um montão enorme. Aí veio um ventinho e, fuuu, as folhas voaram de volta para todo lado. Um gato no muro e dois esquilos no galho assistiam a tudo, e um coelho tapou a boca para não rir.
A Pigúiça ficou parada, de focinho caído, com uma folha pendurada na orelha. Mas ainda tinha a mesa do almoço. Ela carregou os pratos, um, dois, três... e o quarto escorregou da pata. Não quebrou, porque era de madeira, mas foi girando pela cozinha inteira, tchac-tchac-tchac, até bater no pé do armário.
Então ela sentou no degrau da porta. “Ajudar é difícil”, resmungou. “Eu só faço bagunça.”
O Fofuxo sentou ao lado dela, grandão e quentinho. “Sabe qual foi a melhor ajuda do dia?” “Qual?” “Olha lá.” No jardim, a margarida dava risadinhas, toda molhada e feliz.
“E tem mais um segredo”, disse o Fofuxo. “Ajudar não é fazer tudo sozinha. É fazer a sua partezinha, junto com os outros. Cada um pega o tanto que dá conta.”
A Pigúiça ficou pensando. Depois levantou e foi buscar a vassoura de novo. Dessa vez, o Fofuxo segurou o cesto, e ela foi varrendo as folhas devagar, para dentro dele. Uma folha, depois um montinho, depois outro. E as folhas, dessa vez, ficaram quietas.
Para o almoço, ela levou um prato de cada vez, e o Fofuxo levou os outros. A mesa ficou pronta num instante, com uma flor no meio. Era a margarida, que tinha pedido para vir olhar de pertinho.
Quando o sol começou a descer, a casa estava limpinha e cheirosa. Não perfeita. Ainda tinha uma folha teimosa no tapete e uma poça perto do jardim. Mas estava do jeito que uma casa fica quando todo mundo ajudou.
À noite, a Pigúiça sentiu as patas pesadas, a barriga cheia de sopa e um cansaço bom, de quem fez uma coisa útil. “Fui a ajudante do dia”, ela murmurou. “Foi sim”, disse o Fofuxo.
Ela sorriu, enfiou o focinho debaixo do rabo e fechou os olhos. Os pratos dormiam no armário. A vassoura dormia no canto. E a Pigúiça dormiu também, juntinho de todos eles.
