
O quarto da Pigúiça parecia que tinha passado um furacão de brinquedos. Tinha bola debaixo da cama, ursinho em cima da cadeira, blocos espalhados pelo chão e um osso de borracha pendurado na cortina. Ninguém sabia como ele tinha chegado lá.
Lá fora, o céu cor-de-rosa estava ficando alaranjado. As nuvens já bocejavam.
“Pigúiça”, disse Fofuxo, da porta. “Está na hora de arrumar.” “Ah, não!”, reclamou ela, deitando de barriga para cima no meio dos blocos. “Tem brinquedo demais! Eu nunca vou conseguir!”
Fofuxo olhou para o quarto, depois para ela, e sorriu de lado. “E se não fosse arrumar? E se fosse dar boa-noite?” A Pigúiça levantou uma orelha. “Dar boa-noite?”
“Claro. Os brinquedos também ficam cansados. Brincaram o dia inteiro com você. Agora precisam ir para a caminha deles.”
Fofuxo pegou a bola e levantou como quem carrega um tesouro. “Boa noite, Bola. Você rolou muito hoje.” E a colocou dentro do baú, bem devagarinho.
A Pigúiça riu. Pegou o ursinho. “Boa noite, Ursinho. Você foi o meu convidado na festa do chá.” E o deitou no baú, com a cabeça apoiada numa almofadinha.
Foi um por um. Os blocos foram empilhados em fila, dormindo juntinhos. O livro de figuras foi para a prateleira, de pé, ao lado do vizinho. Só faltava o osso de borracha, lá em cima da cortina.
“Eu pego”, disse Fofuxo. Esticou o pescoço, abriu a boca e puxou o osso com os dentes. Era um osso enorme, mais comprido que a Pigúiça. Ele o carregou até o baú, com passos de quem leva uma coisa muito importante. “Boa noite, Osso”, disse Fofuxo, mais baixinho ainda. “Você deu muitas voltas hoje.” E os dois tamparam o baú, juntos.
O quarto ficou silencioso. O chão apareceu, limpinho. A janela deixou entrar um pedaço de luz dourada, que pousou no tapete como um gato.
A Pigúiça olhou em volta. Gostou do que viu. Tudo estava no lugar. Amanhã, ao acordar, ela saberia exatamente onde encontrar cada amigo. “É bonito um quarto calmo”, murmurou. “E um quarto calmo ajuda a dormir”, disse Fofuxo.
A Pigúiça subiu na cama. Os olhos pesavam. O baú, lá embaixo, parecia respirar devagar, cheio de brinquedos sonhando.
“Boa noite, quarto”, disse ela, já quase dormindo. “Boa noite, tudo.” E dormiu, com o coração leve e o quarto em paz.
