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Ansiedade infantil: 10 sinais que passam despercebidos

Publicado em 16 de julho de 2026 · por Lucas dos Reis Arieme

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Crianças ansiosas nem sempre dizem “estou preocupado”. Elas dizem com o corpo e com o comportamento, e é por isso que tanta ansiedade infantil é confundida com birra, manha ou preguiça. Sentir medo e nervosismo faz parte do desenvolvimento saudável: medo do escuro, de monstro, de dormir fora, do primeiro dia de aula. O que vale a pena observar é a intensidade, a duração e o quanto isso atrapalha a vida da criança.

Sinais que costumam passar despercebidos

  • Queixas físicas recorrentes: dor de barriga ou de cabeça que aparece sempre em dias de escola e some no fim de semana.
  • Perguntas repetidas: “Você vem me buscar mesmo? E se você esquecer?”, buscar garantia várias vezes é um clássico.
  • Explosões em momentos de transição: a crise na porta da escola muitas vezes é medo, não desobediência.
  • Sono bagunçado: demorar muito para dormir, acordar de madrugada, voltar a fazer xixi na cama.
  • Perfeccionismo: apagar até furar o papel, chorar por um erro pequeno, evitar tentar coisas novas.
  • Evitação: recusar festas, esportes ou dormir na casa da avó, evitar é o comportamento número um da ansiedade.
  • Irritabilidade: em criança, ansiedade muitas vezes tem cara de mau humor.
  • Agitação e dificuldade de concentração: corpo inquieto, cabeça em outro lugar.
  • Apego excessivo: não conseguir ficar em outro cômodo sozinha.
  • Mudança de apetite: comer muito menos ou beliscar o tempo todo.

Como acolher em casa

  • Valide antes de resolver: “Parece que seu corpo está com medo. Isso é bem desconfortável, né?” Nunca diga “não tem nada com que se preocupar”.
  • Não prometa o impossível: em vez de “nada de ruim vai acontecer”, prefira “aconteça o que acontecer, a gente resolve junto”.
  • Dê nome ao medo: “Vamos chamar essa vozinha de Sr. Preocupação. O que ele está dizendo agora?” Externalizar dá controle.
  • Respiração do balão: inspire pelo nariz enchendo a barriga, solte devagar pela boca, seis vezes.
  • Aproxime aos poucos: evitar alivia hoje e aumenta o medo amanhã. Faça degraus pequenos e comemore cada um.
  • Previsibilidade acalma: conte o roteiro do dia na noite anterior.
  • Cuide da sua própria ansiedade: crianças leem o estado emocional do adulto antes de qualquer palavra. Se você entra na escola tensa, o corpo dela entende que existe perigo. Uma despedida curta, firme e sorridente comunica segurança melhor do que qualquer explicação longa.

Quando procurar um profissional

Converse com o pediatra ou um psicólogo infantil se os sintomas duram semanas, se a criança se recusa a ir à escola, se há perda de peso, se o sono está muito comprometido ou se ela evita atividades de que gostava. Nada aqui substitui avaliação profissional, só ajuda você a observar melhor e a chegar à consulta com informações úteis.

Falar de medo fica mais fácil quando existe um personagem no meio. No Dogavios, a husky Pigúiça também sente insegurança no Jardim Mágico, e a criança que ouve a história costuma comentar sozinha: “eu também fico assim”. Às vezes é exatamente essa frase que abre a conversa que faltava.

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Lucas dos Reis Arieme

Autor da série Dogavios

Sobre o autor