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Por Que a Criança Mente e o Que Fazer

Publicado em 20 de julho de 2026 · por Lucas dos Reis Arieme

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Você pega a criança com a mão na massa, literalmente, chocolate no rosto, e mesmo assim ela diz «não fui eu». O primeiro instinto é achar que está criando um mentiroso. Respire fundo: mentir é, na verdade, um marco do desenvolvimento, e entender por que acontece é o primeiro passo para lidar com isso sem drama.

Por que as crianças mentem em cada fase

Entre 2 e 3 anos, a criança ainda não separa bem fantasia de realidade, «foi o cachorro que comeu o biscoito» pode ser quase uma crença genuína. Dos 4 aos 6 anos, surge a mentira mais «estratégica»: ela já entende que você não sabe tudo o que se passa na cabeça dela, e testa essa descoberta para evitar problemas ou ganhar algo. A partir dos 7 anos, as mentiras ficam mais elaboradas, muitas vezes ligadas ao medo de decepcionar os pais.

O que NÃO fazer

Gritar, chamar de «mentiroso» ou aplicar castigos pesados costuma piorar o problema: a criança aprende que mentir bem é a forma de escapar de consequências severas, então ela só fica mais cuidadosa, não mais honesta.

Um roteiro calmo que funciona

  • Não faça a pergunta-armadilha. Em vez de «você quebrou o vaso?» (quando você já sabe a resposta), diga: «Eu vi o vaso quebrado. Me conta o que aconteceu?».
  • Separe o ato da pessoa. Diga «isso não foi verdade» em vez de «você é mentiroso». A identidade que reforçamos tende a se repetir.
  • Celebre a honestidade em voz alta. Quando ela contar a verdade sobre algo difícil, agradeça primeiro: «Obrigada por me contar, isso foi muito corajoso», antes de tratar da consequência.
  • Consequências previsíveis e leves para o ato em si (ajudar a limpar, por exemplo), nunca para o fato de ter mentido.

Histórias ajudam mais do que sermões

Crianças pequenas absorvem valores muito melhor através de histórias do que de discursos. Momentos de leitura compartilhada, como acompanhar as aventuras da Pigúiça, a huskyzinha do Jardim Mágico, que erra, aprende e conta a verdade aos amigos, dão à criança um espelho seguro para pensar sobre honestidade sem se sentir julgada.

Quando buscar ajuda profissional

Mentiras ocasionais fazem parte do crescimento normal. Se elas vierem acompanhadas de agressividade constante, forem muito frequentes mesmo após os 8-9 anos, ou causarem sofrimento importante na família, vale conversar com o pediatra ou um psicólogo infantil, eles podem avaliar o contexto com mais profundidade do que qualquer artigo.

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Lucas dos Reis Arieme

Autor da série Dogavios

Sobre o autor